Microplásticos no meio ambiente: uma emergente e preocupante classe de contaminação antrópica
julho 5, 2021

Nos últimos anos, notou-se um aumento gradativo da contaminação dos recursos hídricos em todo o mundo. Este problema está diretamente ligado a fragilidade dos sistemas de saneamento, que aliado ao crescimento populacional, tem auxiliado para que esgoto domésticos e efluentes industriais sejam lançados em águas superficiais.

Outro fator que contribui para o aumento da carga de poluentes nos corpos d’água são os tratamentos ineficientes ou inexistentes, para algumas classes de contaminantes utilizados nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE). No Brasil, as técnicas mais completas e usuais de tratamento de esgoto são eficientes na remoção dos sólidos que conferem turbidez e coloração à água. No entanto, essas técnicas convencionais têm se mostrado ineficientes para remoção de poluentes emergentes.

Em cidades aonde não há a presença de uma ETE, o sistema de fossa e filtro, tem sido aplicado como método de tratamento de efluente sanitário doméstico, seja em uma residência pequena, ou um condomínio de grande porte.

Em geral, os efluentes sanitários são constituídos por 99,9% de água e 0,1% de sólidos orgânicos ou inorgânicos, suspensos ou dissolvidos, e microrganismos. As principais características físico-químicas dos esgotos domésticos, bem como os respectivos valores típicos para esgoto bruto, estão apresentadas no quadro 1.

No estado de Santa Catarina, o órgão que fiscaliza e monitora o tratamento e lançamento de efluentes sanitários é o Instituto do Meio Ambiente (IMA), que a partir do enunciado 001, de agosto de 2018, apresenta frequências de análise e parâmetros para verificação da eficiência do sistema de tratamento predial ou residencial em cidade que não contam com a coleta coletiva de efluentes sanitários.

 

Quadro 1 – Principais características físico-químicas dos esgotos domésticos

(continua)

Parâmetro Descrição Faixa1
Sólidos totais Inclui sólidos orgânicos e inorgânicos, suspensos e dissolvidos, e sedimentáveis. 700 – 1350 mg L-1
·    Em suspensão Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos que são retidos em filtros de papel com aberturas de dimensões padronizadas (0,45 a 2,00 μm). 200 – 450 mg L-1
·    Fixos Componentes minerais, não incineráveis, inertes, dos sólidos em suspensão. 40 – 100 mg L-1
·    Voláteis Componentes orgânicos dos sólidos em suspensão. 165 – 350 mg L-1
·    Dissolvidos Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos que não são retidos nos filtros de papel descritos acima. No teste laboratorial, englobam também os sólidos coloidais. 500 – 900 mg L-1
·    Fixos Componentes minerais dos sólidos dissolvidos. 300 – 550 mg L-1
·    Voláteis Componentes orgânicos dos sólidos dissolvidos. 200 – 350 mg L-1
·    Sedimentáveis Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos que sedimenta em uma hora no cone Imhoff. Indicação aproximada da sedimentação em um tanque de decantação. 10 – 20 mL L-1
Fósforo O fósforo total existe nas formas orgânica e inorgânica. É um nutriente indispensável no tratamento biológico. 4 – 15 mgP L-1
·    Fósforo orgânico Combinado à matéria orgânica. 1 – 6 mgP L-1
·    Fósforo inorgânico Ortofosfato e polifosfatos. 3 – 9 mgP L-1
Matéria orgânica Mistura heterogênea de diversos compostos orgânicos. Principais componentes: proteínas, carboidratos e lipídeos.  
·    DBO5

(determinação indireta)

Demanda bioquímica de oxigênio. Medida a 5 dias, 20 °C. Associada à fração biodegradável dos componentes orgânicos carbonáceos. É uma medida do oxigênio consumido após 5 dias pelos microrganismos na oxidação bioquímica da matéria orgânica. 250 – 400 mg L-1
·    DQO

(determinação indireta)

Demanda química de oxigênio. Representa a quantidade de oxigênio requerida para estabilizar quimicamente a matéria orgânica carbonácea. Utiliza fortes oxidantes em condições ácidas. 450 – 800 mg L-1
·    DBOÚLTIMA

(determinação indireta)

Demanda última de oxigênio. Representa o consumo total de oxigênio, ao final de vários dias, requerido pelos microrganismos para a oxidação bioquímica da matéria orgânica. 350 – 600 mg L-1
·    COT

(determinação direta)

Carbono orgânico total. É uma medida direta da matéria orgânica carbonácea. É determinado através da conversão de carbono orgânico a gás carbônico.
Nitrogênio total Inclui o nitrogênio orgânico, amônia, nitrito e nitrato. É um nutriente indispensável para o desenvolvimento dos microrganismos no tratamento biológico. O nitrogênio orgânico e a amônia compreendem o nitrogênio total Kjeldahl (NTK). 35 – 60 mgN L-1
Nitrogênio orgânico Nitrogênio na forma de proteínas, aminoácidos e ureia. 15 – 25 mgN L-1
Amônia Produzida como primeiro estágio da decomposição do nitrogênio orgânico. Presente em efluente tratado sem nitrificação. 20 – 35 mgNH3-N L-1
Nitrito Estágio intermediário da oxidação da amônia. Praticamente ausente no esgoto bruto. ≈ 0 mgNH2-N L-1
Nitrato Produto final da oxidação da amônia. Praticamente ausente no esgoto bruto. Presente em efluente tratado com nitrificação. 0 – 1 mgNH3-N L-1
pH Indicador das características ácidas ou básicas do esgoto. Os processos de oxidação biológica tendem a reduzir o pH. 6,7 – 8,0
Alcalinidade Indicador da capacidade tampão do meio (resistência às variações do pH). Devido à presença de bicarbonato, carbonato e íon hidroxila. 100 – 250 mgCaCO3 L-1
Cloretos Provenientes da água de abastecimento e dos dejetos humanos.
Óleos e graxas Fração da matéria orgânica solúvel em hexanos. Nos esgotos domésticos, as fontes são óleos e gorduras utilizados nas comidas.
Temperatura Ligeiramente superior à da água de abastecimento. Variação conforme as estações do ano. Influencia na atividade microbiana, na solubilidade de gases, na velocidade de reações químicas e na viscosidade do líquido.
Cor Esgoto fresco: ligeiramente cinza. Esgoto séptico: cinza escuro ou preto.
Odor Esgoto fresco: odor oleoso, relativamente desagradável. Esgoto séptico: odor desagradável devido ao gás sulfídrico. Despejos industriais: odores característicos.
Turbidez Causada por uma grande variedade de sólidos em suspensão. Esgotos frescos ou concentrados: geralmente maior turbidez.
Microrganismos

patogênicos

Bactérias, vírus, protozoários e helmintos com origem predominantemente humana, refletindo diretamente o nível de saúde da população.
Metais Dependendo da concentração, os metais prata (Ag), arsênio (As), cádmio (Cd), cobalto (Co), cromo (Cr), cobre (Cu), mercúrio (Hg), níquel (Ni), chumbo (Pb), antimônio (Sb), selênio (Se) e zinco (Zn) podem ser tóxicos a organismos vivos. Sua ocorrência provém de efluentes industriais. Traços

1Faixa típica para esgoto bruto.

Fonte: Adaptado de von Sperling (2014).

 

Você sabia que em sistemas de condomínio, a periodicidade estipulada para análise de sistema de fossa e filtro, é de realizar ensaios de verificação a cada 2 meses?

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